terça-feira, 5 de agosto de 2014

PLANO DE AÇÃO II



"SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA: 
DISCUTINDO O RACISMO NA ESCOLA!"

Por Patrícia Veronesi Batista 
Sexta-feira, 18 de julho de 2014


OBJETIVOS DA AÇÃO 
  • Discutir as relações raciais no ambiente escolar.
  • Promover o respeito pelas várias etnias.
  • Reconhecer e valorizar a cultura africana e afro-descendente, como formadora da nossa cultura.

JUSTIFICATIVA
De acordo com a Lei 11.645/08, o estudo da História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena na formação do povo brasileiro tornam-se obrigatórios no currículo escolar. Essa lei passou a valer para todos os níveis da educação básica com a instituição das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais.

Considerando que o Brasil é a segunda maior nação negra do mundo e está entre os países mais preconceituosos, marcado por manifestações veladas de racismo, faz-se necessário discutir a temática na escola, lugar em que a diversidade étnico-racial ainda representa um tabu a ser superado. 

A escola é uma instituição social que reflete bem o modelo de sociedade em que está inserida, pois nela identificamos práticas que resultam em desigualdades sociais, raciais, culturais, econômicas e a reprodução de modelos discriminatórios com os quais lidamos no dia a dia. Desta forma a experiência de estudo, discussão e respeito à diversidade étnico-racial no espaço escolar favorecerá mudanças sociais, e para tal, é necessário que professores, gestores e funcionários da escola entendam o espaço escolar como propulsor do exercício da cidadania, de democracia e de emancipação. Tal movimento será possível com a constante reavaliação de valores, crenças e princípios tidos como verdade, mas que em sua maioria fundamentam-se em concepções racistas, sexistas, conservadoras e principalmente excludentes.

Jeruse Romão, em "Por uma educação que promova a auto-estima da criança negra" (2001), destaca a importância da pesquisa e do estudo por parte dos educadores no processo de construção de educação anti-racista:

Ao olhar para alunos que descendem de africanos, o professor comprometido com o combate ao racismo deverá buscar conhecimentos sobre a história e cultura deste aluno e de seus antecedentes. E ao fazê-lo, buscar compreender os preconceitos embutidos em sua postura, linguagem e prática escolar; reestruturar seu envolvimento e se comprometer com a perspectiva multicultural da educação (ROMÃO, 2001).

Paulo Freire também nos ensina que a visão do educador deve respeitar o educando, ou seja, "ensinar exige reconhecimento e assunção da identidade cultural". Dentro deste contexto, torna-se urgente o reconhecimento de que há sim discriminação racial dentro e fora da escola, ocorrendo ora de forma explícita (como nas piadinhas entre alunos), ora de forma velada; que não é exclusiva aos afro-descendentes, sendo recorrente entre outros grupos étnicos, raciais ou religiosos, e principalmente, que precisamos fazer alguma coisa para minimizaras as diferenças sociais que resultam dessas discriminações.

Com base nessas considerações, a temática racial deve estar sempre presente na escola, no decorrer de todo o ano letivo, em todas as disciplinas curriculares, e quando possível, destinar momentos específicos para o debate coletivo do tema.

DESCRIÇÃO DA AÇÃO
Durante a semana em que comemora-se o Dia da Consciência Negra (semana do dia 20 de novembro), a escola organiza-se para discutir a temática racismo, oferecendo rodas de leitura, mesas redondas, palestras, seções audiovisuais e exposições. Atividades essas, preparadas por professores e profissionais da educação para os alunos, ou seja, a escola deve movimentar estudiosos da área, autores de livros e profissionais da educação para dirigirem cada atividade, sempre tendo o aluno como elemento principal das ações a serem realizadas. Desta forma os alunos devem ser envolvidos nas seguintes atividades/discussões propostas:

SALA 1 - Roda de leitura e discussão dos textos que abordem o racismo, como:
- "O Racismo", de Luís Fernando Veríssimo.
- Reportagens que tratem de manifestações preconceituosas na escola e fora dela.

SALA 2 - Mesas redondas, com as seguintes temáticas:

- Onde você guarda o seu racismo?
- Como e quando agir?

SALA 3 - Palestras, com as seguintes temáticas:

- As tradições e a história da cultura negra.
- A influência da cultura africana na sociedade brasileira.

SALA 4 - Seções audiovisuais:
- Documentário “Vista a Minha Pele” (Joel Zito Araújo & Dandara. Brasil, 2004).
- O Negro no Brasil - Caminhos da Reportagem (Reportagem: Luciana Barreto Edição: Isabelle Gomes Produção: Vivian Carneiro e Laine Fabrício. Brasil, 2011).

SALA 5 - Exposições, com as seguintes temáticas:
- Consciência Negra em Cartaz.
- Cultura afro.

Essas atividades estarão disponíveis aos alunos do ensino fundamental e médio, nos cinco dias de comemoração, em uma espécie de feira de atividades, cabendo ao aluno escolher as que pretende fazer primeiro, tendo a oportunidade de no final da semana ter passado por todas as salas.

Tais atividades podem ser realizadas sempre após o intervalo (recreio), dispensando duas horas diárias (duas apresentações de 1 hora em cada dia), totalizando dez horas semanais.   

CRONOGRAMA  
Para planejamento:
Um mês para planejamento das atividades, seleção de material e convidados para ministrarem as atividades (palestras, mesas redondas, todas de leituras, etc).
Para execução:
Uma semana, destinando duas hora por dia para a participação dos alunos nas atividades descritas.

A seguir tabela com cronograma do curso:
ATIVIDADES
OUT
NOV
SEG (17/11/14)
NOV
TER (18/11/14)
NOV
QUAR (19/11/14)
NOV
QUI (20/11/14)
NOV
SEX (21/11/14)
PLANEJAMENTO
X





SALA 1
Carga horária.: 2 h.
Duas apresentações de 1h.

X
X
X
X
X
SALA 2
Carga horária.: 2 h.
Duas apresentações de 1h.

X
X
X
X
X
SALA 3
Carga horária.: 2 h.
Duas apresentações de 1h.

X
X
X
X
X
SALA 4
Carga horária.: 2 h.
Duas apresentações de 1h.

X
X
X
X
X
SALA 5
Carga horária.: 2 h.
Duas apresentações de 1h.

X
X
X
X
X

Materiais: serão utilizados livros, reportagens, internet, documentários, datashow, computador, quadro negro, etc.

POPULAÇÃO BENEFICIADA
Alunos da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio "Alice Holzmeister", localizada no município de Santa Leopoldina.

Segundo dados do Censo Escolar/INEP[1], trata-se da única escola estadual do município[2], está localizada em região urbana, no centro da cidade. Atende em especial o público da sede, mas contempla boa parte dos alunos das comunidades próximas e do interior.

O mesmo censo aponta que em 2013 foram feitas 206 matrículas para os anos iniciais do Ensino Fundamental (1ª a 4ª série ou 1º ao 5º ano), 304 matrículas para os anos finais do Ensino Fundamental (5ª a 8ª série ou 6º ao 9º ano) e 249 matrículas para o Ensino Médio, não contemplando Creche, Pré-escola, Educação de Jovens e Adultos, nem Educação Especial. Possui 68 funcionários, estrutura básica para funcionamento com internet, computadores (31 para alunos e 7 para funcionários), salas de atendimento especial, professores, diretoria, quadra de esporte, laboratório de ciências, informática, cozinha, biblioteca e sanitários dentro da escola.

Trata-se de uma escola de pequeno porte se compararmos com outras da grande vitória, mas na cidade é a principal escola, apresentando público variado (moradores da sede e do interior), sendo referência no acesso a educação e na infraestrutura.

REFERÊNCIAS
BRASIL (Ministério da Educação). Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Disponível em: <http://www.qedu.org.br/escola/167249-eeefm-alice-holzmeister/censo-escolar>. Acesso em: 30 maio 2014.
ROMÃO, Jeruse. Por uma educação que promova a auto-estima da criança negra. Brasília, Ministério da Justiça, CEAP, 2001.



[1] BRASIL (Ministério da Educação). Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Disponível em: . Acesso em: 30 maio 2014.

[2] Vale ressaltar que tenho conhecimento da existência de outras escolas sob os cuidados do Estado e do Município. Contudo, não obtive respostas oficiais da Secretaria de Educação de Santa Leopoldina e optei por apresentar dados do Censo Escolar/INEP 2013.



sexta-feira, 18 de julho de 2014

Movimento negro e movimento de mulheres negras: uma agenda contra o racismo

Por Rosângela Surlo Gomes Ramos
Quarta-feira, 9 de julho de 2014

Principais movimentos antirracistas negros 

Para reverter o quadro de marginalização do negro perante a sociedade, os libertos, ex-escravos e seus descendentes instituíram os movimentos de mobilização racial no Brasil, criando incialmente dezenas de grupos (grêmios, clubes ou associações) em alguns estados da nação.

Em São Paulo, apareceram o Club 13 de Maio dos Homens Pretos (1902), o Centro Literário dos Homens de Cor (1903), a Sociedade Propugnadora 13 de Maio (1906), o Centro Cultural Henrique Dias (1908), dentre muitas outras, e simultaneamente, apareceu o que se denominava imprensa negra: jornais publicados por negros e elaborados para tratar de suas questões. Para um dos principais dirigentes negros da época, José Correa Leite, “a comunidade negra tinha necessidade de uma imprensa alternativa”, que transmitisse informações que não se obtinha em outra parte. Os jornais negros assumiram um discurso crítico às formas de preconceito praticado na sociedade e, ao mesmo tempo, procuravam incutir nos/as  negros/as valores e crenças sociais compatíveis à integração desse segmento à ordem social e econômica burguesa. Esses jornais enfocavam as mais diversas mazelas que afetavam a população negra no âmbito do trabalho, da habitação, da educação e da saúde. Tornando-se uma tribuna privilegiada para se pensar em soluções concretas para o problema do racismo na sociedade brasileira.


Principais instrumentos e/ou estratégias utilizados por eles, para discutir o preconceito racial 

Uma das estratégias utilizadas para discutir o preconceito racial se deu através da imprensa negra, que representava um importante papel na divulgação, conscientização e discussão dos direitos do negro/a, e também através de construções de espaços próprios de sociabilidade, onde pudessem evitar constrangimentos de cunho social nos momentos de lazer e onde pudessem discutir situações de preconceito racial vivenciadas pelos membros desse grupo. Onde propiciava espaços de lazer, de estética, de profissionalização, de participação política. Ou seja, o propósito da organização era exatamente garantir a proteção social àqueles/as que estavam visivelmente desamparados/as, uma vez que o Estado ainda não dispunha de sistema amplo, universal e capaz de atender a todos/as cidadãos/ãs.


A participação das mulheres nestes movimentos

As mulheres negras não tinham apenas importância simbólica no movimento negro. Segundo depoimento do antigo ativista Francisco Lucrécio, elas “eram mais assíduas na luta em favor do negro, de forma que na frente [Negra] a maior parte eram mulheres. Era um contingente muito grande, eram elas que faziam todo o movimento.”

Segundo Lélia Gonzalez, que foi a intelectual negra que melhor expressou o contexto político da redemocratização, pois sintetizou uma corrente do pensamento político negro nas categorias elementares de raça, classe e sexo: “é a mulher negra anônima, sustentáculo econômico, afetivo e moral de sua família, aquela que desempenha o papel mais importante. Exatamente porque, com sua força e corajosa capacidade de luta pela sobrevivência, transmite as suas irmãs mais afortunadas, o ímpeto de não nos recusarmos à luta pelo nosso povo. Mas, sobretudo porque, como a dialética do senhor e do escravo de Hegel – apesar da pobreza, da solidão quanto a um companheiro, da aparente submissão, é ela a portadora da chama da libertação, justamente por que não tem nada a perder.” (Gonzalez: 1982:104).

A mulher negra sempre necessitou estar inserida na luta por melhores condições de existência, e isto se dava por diversas formas de organização, desde o período escravista, no pós-abolição e até os dias atuais, com organizações que nem sempre se acomodaram nos moldes formais, mas que sempre foram contestantes.

Para Araujo (2001), são motivadas pelo desejo de transformação da sua realidade que as mulheres negras aderiram aos movimentos feministas. Ao longo de sua trajetória, o feminismo criou tanto novos valores nas relações sociais como também muitos mitos de origem, entre eles o que se traduzia no paradigma de que todas as mulheres são iguais.
  
REFERÊNCIAS
Disponível em: http://www.fundaj.gov.br/geral/observanordeste/valdenice.pdf acessado em 07/07/2014.


O percurso do conceito de raça no campo de relações raciais no Brasil

Por Rosângela Surlo Gomes Ramos
Quinta-feira, 19 de junho de 2014

O preconceito no Brasil é racial ou de classe? Baseada nas leituras da Unidade 2 do módulo 3, é possível observar que alguns escritores se opõem ao escrever sobre esse tema.

Considerando que a maioria da população negra era constituída por pobres, resultava-se na simetria “negro/a = classe baixa/pobre”, algo que levava muitos/as pesquisadores, como por exemplo, Donald Pierson, a interpretar o preconceito que se praticava contra negros/as como sendo preconceito de classe. Mas para Oracy Nogueira, o que ocorria na verdade era uma discriminação racial com características bastante próprias da realidade brasileira: a distinção a partir da cor e dos traços, o que chamou de “preconceito de marca ou de cor”. Já o sociólogo Florestan Fernandes, conseguia fazer uma analise na qual equacionava ao mesmo tempo raça e classe. Dando os primeiros passos na desconstrução de democracia racial, ao apresenta-la como categoria desmistificadora das relações no Brasil.

O fato é que, em suma, os estudos da UNESCO apontaram que éramos (e somos!) um pais racista.  Considerando esse apontamento, o preconceito, quer seja racial ou de classe, precisam ser banidos da sociedade, pois não deve existir uma suposta superioridade de grupos dominadores em relação a grupos dominados.

A discriminação de cor e de gênero que incide sobre as mulheres negras no Brasil

Por Martha Miranda dos Santos
Segunda-feira,  30 de junho de 2014

Uma das maiores particularidades do racismo brasileiro é o modo como o preconceito se esconde sob a máscara de um país racialmente democrático. Com a justificativa de que o Brasil não enxerga cor e que é composto por pessoas miscigenadas, os negros e especialmente a mulher negra continuam sofrendo com as desvantagens de um sistema injusto e racista.

Do período da escravidão até os dias atuais, a mulher negra ainda continua vivendo o processo da discriminação tanto de gênero como de raça.  Na escravatura, amulher negra escrava, quando não trabalhava nos serviços braçais ao lado dos homens, dedicava-se aos serviços domésticos, na casa dos seus patrões, além de ocupar-se, muitas vezes, com a tarefa de ser mãe de leite, tendo que amamentar o filho alheio. Além disso, sua imagem sempre esteve vinculada como objeto sexual satisfazendo os desejos dos homens brancos.Hoje, em relação ao trabalho, realizam serviços precários e estão presentes na maioria das cozinhas dos lares brasileiros servindo as famílias brancas e ricas.

Nesse sentido,sua situação é marcada por um contexto histórico de exploração sexual, emprego desvalorizado, violência, falta de acesso à saúde e educação. A comprovação feita através de pesquisas realizadas nos últimos anos, nos mostra que a mulher negra apresenta menor nível de escolaridade, trabalha mais, porém com rendimento menor, e continua em último lugar na escala social.

Contudo, apesar de todos os indicadores sociais, tendo em vistatodo o processo de desigualdade e discriminação envolvendo as mulheres negras e sabendo ainda que a questão de gênero por si sóapresenta dificuldade, porém, somada a da raça, significa que ainda é maior, algumas mulheresconseguiram romper as barreiras,vencendo as adversidades, criando estratégicas no alcance da suaascensão social.

REFERÊNCIAS
Disponível em http://www.espacoacademico.com.br/022/22csilva.htm.acessado em 27 de junho de 2014.

Movimentos Negros

Por Martha Miranda dos Santos
Quinta-feira,  19 de junho de 2014

Em 1888,aconteceu à proclamação da Republica no Brasil, um ano após a abolição da escravatura. O novo sistema político, não assegurou ganhos materiais à população negra, sendo um período marcado pelo preconceito racial, principalmente pelo mercado de trabalho e outros espaços como; clubes, festas, cinemas, hotéis, restaurantes, estabelecimentos comerciais e religiosos, além de escolas, ruas, praças publicas e outros.

Como forma de reverter esse quadro discriminatório, os liberto safro-brasileiros, instituíram os movimentos de mobilização racial negra no Brasil, criando espaços próprios de sociabilidade e também de luta contra o racismo, tais como;Clube 28 de setembro (1897), Clube 13 de maio dos Homens Pretos (1902), O Centro Literário dos Homens de Cor (1903), A Sociedade Propugnadora 13 de Maio (1906), O Centro Cultural Henrique Dias (1908), Sociedade União Cívica dos Homens de Cor (1915), A Associação Protetora dos Brasileiros Pretos (1917).

Com a criação de várias entidades,simultaneamente, apareceu à imprensa negra, a qual esses jornais enfocavam as mais diversas mazelas que afetavam a população negra no âmbito do trabalho, da habitação, da educação e da saúde, tornando-se uma tribuna privilegiada para se pensar em soluções concretas para o problema do racismo na sociedade brasileira.

Na década de 1930, o movimento negro deu um salto qualitativo, com a fundação,da Frente Negra Brasileira (FNB) com reivindicações políticas mais deliberadas Na primeira metade do século XX, ela foi a mais importante entidade negra do país e chegou a superar os 20 mil associados. A entidade desenvolveu um considerável nível de organização, mantendo escola, grupo musical e teatral, time de futebol, departamento jurídico, além de oferecer serviço médico e odontológico, cursos de formação política, de artes e ofícios, assim como publicar um jornal, A Voz da Raça.

Em 1945, surgiu o Teatro Experimental do Negro (TEN), fundado por Abdias do Nascimento. Ele foi um ativista do movimento negro, deputado, secretário estadual e senador, além de ator e escultor. Produziu obras para evidenciar o combate à discriminação racial. Abdias estabeleceu o dia 20 de novembro como data oficial da Consciência Negra.

Na década de 1960 e 1970 houve alterações nos quadros políticos, culturais, comportamentais e isso passou a fazer parte do mundo, e no Brasil vivíamos o período ditatorial. Neste momento surgiram grupos de dança, musica e teatro, sem contar a influencia da cultura dos negros americanos como o Soul Music, Black Power, artistas como; James Brow, Bob Marleye ativistas; Martin Luther King, Ângela Davis, Malcolm X, Nelson Mandela, tiveram grande influencia e contribuíram de alguma forma nesse processo, repensando valores e identidade da população negra brasileira.

Por meio dessas manifestações, os negros se organizaram e fundamentaram suas ideias criando em 1978 o Movimento Negro Unificado (MNU) e em 1988, o GELEDÉS, movimento que combatia a desvalorização das mulheres negras e o racismo.

Nesse sentido, com as lutas constantes, o Estado Democrático através da Constituição de 1988, estabelece a igualdade e o combate ao racismo.

Em 1995,na Marcha Zumbi dos Palmares, milhares de negros/as seguiram para a Brasília, em protesto e reivindicação contra o racismo, pela Cidadania e a Vida. Exigindo o fim do racismo e a ação urgente do Estado contra as desigualdades raciais e pela melhoria das condições de vida da população negra. Essa ação resultou na criação do Grupo de Trabalho Interministerial para a Valorização da População Negra, através do decreto s/nº de 20 de novembro de 1995.

Em 1996, várias propostas para defesa da população negra foram inseridas no Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) e deram oportunidades para que assuntos relacionados à educação, ações afirmativas e órgãos direcionados aos negros fossem criados.

No ano de 2001, na III Conferência Mundial Contra o Racismo, na África do Sul, o governo brasileiro se comprometeu em implantar o sistema de Cotas raciais. Os debates frequentes com relação à desigualdade racial giraram em torno das políticas afirmativas que tem como objetivo corrigir as desigualdades sociais, raciais e econômicas realizadas no passado ou no presente.

Em 21 de março 2003, foi criada a Secretaria Especial de Política de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (SEPPIR), que nasce do reconhecimento das lutas históricas do Movimento Negro brasileiro. Nesta data é comemorado o Dia Internacional pela Eliminação Racial instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU). 
Como base nessas conquistas, hoje por meio das políticas afirmativas temos; Programa de Bolsas de Estudo; Inclusão de negros ou grupos discriminados em empregos ou escolas/universidades (por meio de cotas, metas, bônus, financiamentos, etc.), prioridade para empréstimos;distribuição de terras e moradias.

As leis e estatutos baseados nas ações afirmativas para afro-brasileiro são:
·         Lei 10.639/93 -fala sobre a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Afro-Brasileira em instituições de nível fundamental e médio;
·         Lei 12.288/10 - institui o Estatuto da Igualdade Racial;
·         Lei 12.711/12 - com cotas para entrada de negros nas universidades.
  
REFERÊNCIA 
Disponível em: http://www.criola.org.br/pdfs/publicacoes/Boletim_toques/2005-MarchaZumbi.pdf acessado em 13 de junho de 2014.
Disponível em: http://negros-no-brasil.info/mos/view/Movimento_Negro/, acessado em 13 de junho de 2014.
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-77042007000200007, acessado em 13 de junho de 2014. 



segunda-feira, 14 de julho de 2014

O problema dos indígenas no México

Por Patrícia Veronesi Batista
Domingo, 8 de junho de 2014

AÇÕES REQUERIDAS PARA CONSTITUIR OU FORTALECER A NAÇÃO MEXICANA
Manuel Gamio, considerado por muitos o pai da antropologia mexicana, via na antropologia social recursos para construção da nacionalidade do México, país que naquele momento era formado por uma minoria considerada "moderna e civilizada", população branca que promovia o progresso, e uma maioria de indígenas, em que parte mostrava-se exclusivamente indígena e parte mostrava-se já influenciada pela "raça de origem europeia", mas que de forma geral, era identificada como a parcela passiva e subdesenvolvida do país.

Com base nestas considerações e em estudos históricos, etnográficos e estatísticos foram requeridas ações necessárias para a formação da nação mexicana, a citar: mestiçagem dos grupos étnicos heterogêneos, melhoria das comunicações e dos acessos a regiões isoladas, universalização da língua espanhola, evolução cultural na ciência, arte e religião e a diminuição da distância entre elite e a massa que desprovia de acesso ao consumo e a renda.

Gamio buscava com essas ações diminuir as diferenças evolutivas existentes entre os subgrupos que compunham a nação mexicana, entendia essa incorporação como fundamental para o sucesso nacional, pois representavam mais da metade da população mexicana, não podendo ser ignorados, mas sim aproveitados para o progresso do país e para seu próprio sentimento de pertença e identidade nacional.

A POLÍTICA INDIGENISTA DO ESTADO MEXICANO
Não é possível afirmar que a política indigenista do Estado mexicano respeitava e valorizava as culturas indígenas em suas especificidades e autonomias, pois tal movimento se consolidou mantendo as características de aculturação planejadas desde os primeiros anos revolucionários (anos de 1920) e conviveu com a contradição de exaltar as culturas e as artes dos índios do passado (já mortos) e ignorar sua ligação com os índios do presente (ainda vivos).

Vale ressaltar, que a política indigenista não via com bons olhos a valorização de identidades locais ou sentimentos que não fossem de pertença nacional. Desta forma, não era possível existir autonomia das culturas indígenas, via-se nessas iniciativas o risco de reproduzir a exclusão e as relações desiguais, contra as quais lutaram desde o princípio.

Desta forma, as ações praticadas pelo movimento indigenista tiveram sempre como propósito central desenvolver a mudança de cultura indígena para a cultura mestiça, a fim de resultar na integração à comunidade nacional e no desenvolvimento econômico e social das diversas regiões do país, progresso esse almejado pela cultura mestiça.

REFERÊNCIA

GIL, Antonio Carlos Amador. Raça, etnicidade, mestiçagem e indigenismo. O mestiço como símbolo nacional no México. In: NADER, Maria Beatriz. Gênero e Racismo: múltiplos olhares. Vitória : Edufes/Secadi/Ne@ad, 2014, p. 200-218. 

"Todo brasileiro, mesmo o alvo, de cabelo louro, traz na alma quando não na alma e no corpo, a sombra, ou pelo menos a pinta, do indígena ou do negro" (Gilberto Freyre, Casa grande e senzala)

Por Maria da Glória de Souza
Quinta-feira,  19 de junho de 2014

Presumo que a citação se relaciona com a influência que sofremos no passado e se perpetuou pelos dias atuais.  Muito dos nossos costumes tem origem ou sofreram influência indígena ou negra. O cuidado com o corpo, o vocabulário - herança da língua tupi, o gosto pelo milho, pelo caju, pelo aipim ou mandioca, os remédios caseiros feito de plantas e ervas, o gosto pela água, de se pentear, o cabelo brilhante pelo uso do óleo, são influências indígenas e a ternura, a religião, o jeito de falar, no canto que embala a criança, na comida – a famosa feijoada que não pode faltar na mesa dos brasileiros, o gosto pela música, as danças,tudo isso remete aos negros e principalmente, a facilidade de se conviver com a miséria. E ambos influenciaram na forma de trabalhar, de lidar com a terra, na pesca e na caça.

Em alguns Estados é perceptível a influência: na Bahia – onde o povo é alegre, festeiro, eloquente – remete-se ao negro e outros como o Piauí, a Paraíba e o Pernambuco – o povo é mais calado, influência indígena.

Mediante tudo isso, mesmo que a cor da pele ou o sobrenome designe outro povo, mesmo que não carregamos na alma, no corpo, mas o jeito, os gostos e as influências denunciam que temos traços que lembram negros ou índios, quiçá, os dois.


REFERÊNCIA
A cara do brasileiro –Superinteressante, disponível em: http://super.abril.com.br/cultura/cara-brasileiro-445905.shtml, acessado em 13 de junho de 2014.